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Perdidos em Shenzhen - China | Mapa da Educação Internacional | MAPAei

11 abril 2016
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Ni Hao,

Assim que chegamos à Shenzhen, uma experientíssima brasileira me deu uma dica super importante: _Equipe cada um dos seus filhos com um celular e o endereço de casa escrito em caracteres por que, se eles se perderem, nunca mais vão conseguir voltar para casa!

Diante de tal afirmação, equipei-os rapidamente, não só com o telefone e o endereço de casa, como também com vários outros endereços úteis, além do telefone da empregada e de frases-chaves para trocar com os taxistas.

Foto 1 MAPAei China

Apesar de carregar toda esta porcariada na minha carteira, entrar num taxi é sempre uma aventura. A gente fala o endereço, pergunta se o cara entendeu e aguarda. Se ele não falar nada e ligar o taxímetro, é porque entendeu. Se ele desandar a falar, a gente repete mais 3 vezes tentando diferentes entonações e fecha com a frase “ni zhi dao ma?” que significa, “você conhece/sabe?”. Se ele não ligar o taxímetro de jeito nenhum, melhor sair do táxi e pegar outro, antes de acabar perdida nesta mega cidade de mais de 15 milhões de habitantes.

Houve uma época em que meu filho menor, o Dudu, pegou uma mania chata de perguntar “ni zhi dao ma?” depois que o cara já tinha ligado o taxímetro e arrancado com o carro. O motorista olhava para o banco de trás e começava a perguntar tudo de novo confundindo o que já estava mais do que resolvido. Eu e as crianças passamos a entrar no táxi, dizer o endereço e mandar o Dudu calar a boca automaticamente.

Enfim, foi com o Dudu que vivi uma nova e angustiante experiência quando ele tinha 10 anos. Certa vez, ele foi à casa de um amigo perto da escola e eu aproveitei para testar sua independência:

_Dudu, volta para casa de ônibus. Pega o 109 ou B687 ou o J1 e salta na estação Xin Jie. Vai ser moleza, filho!

Meia hora mais tarde, me liga o Dudu:

_Desci na estação, estou reconhecendo as raízes das árvores no chão, mas não sei onde estou.

_ Raízes? Ah, tá! Lembrei. Mas peraí, Dudu, o ponto de ônibus cheio de raízes no chão fica do outro lado da rua onde se pega o ônibus para ir para a casa do amigo e não para voltar. Você está voltando!

_Não tô entendendo nada desse negócio de ir e voltar!

_ Onde você está?

_ Não seiiiii!!!!

_ Olha para cima. Dá para você ver o nosso prédio que é super alto?

_ Mãe, só tô vendo árvore!

_ Qual o nome da estação?

_ Onde a gente lê o nome da estação?

_ Naquela placa cheia de caracteres que fica aí no ponto do ônibus.

_ Não estou mais no ponto.

_ Volta para o ponto e lê o nome!

_ O nome é Dongjiaotou! Eu me lembro! Desci na Dongjiaotou!

_ Caraca, porque você desceu na Dongjiaotou se eu falei para descer na Xinjie?

(Parênteses: Sentiram como decorar e ler todos esses nomes não é moleza?)

_ Eu achei que era essa!!! Estou voltando para o ponto. Faço o que agora?

_ Pega o ônibus de novo e salta uma estação para frente porque você desceu uma antes. (Parênteses: agora fui eu quem errei. Ele já tinha descido uma para frente e eu mandei-o ir mais para frente ainda!)

Eu de novo:

_Já pegou ?

_ Já.

_ A trocadora perguntou para onde você vai? (Em Shenzhen, a passagem varia de acordo com a distância percorrida, por isso, antes de cobrar, a trocadora sempre pergunta para onde a gente está indo).

_ Ela tá falando comigo. Não tô entendendo nada. Fala aqui com ela.

_ Dudu!!!! Não passa o telefone para ela!!!!Du… Ah, Ni Hao. Xinjie, Xinjie.

_ Mãe, ela balançou a cabeça e olhou para trás. Agora fez uma volta com a mão. Não sei onde eu tô. Vou descer, vou descer!

_ Então desce que eu vou te procurar!

_ Ela tá dizendo para eu não descer. Não vou descer!!!!

_ Desce!!!!!!!!!!!!!!!!!!

E lá fui eu, num sol de fritar ovo no asfalto, atendendo o celular de 10 em 10 segundos para acalmar o Dudu que estava a 5 estações depois da nossa casa!

Voltamos à pé para ajudá-lo a memorizar o caminho, mas tive que aguentar a maior ladainha de “nunca mais eu ando de ônibus, eu te avisei que isso não ia dar certo, vou pegar o metrô, só vou andar de táxi, é impossível viver aqui, olha para isso, é tudo igual, tá vendo as raízes no chão…. e, por fim, como é que vocês viviam sem celular quando eram crianças?”.

Sei lá. Vocês se lembram?

Enfim, depois disso tudo, o que o Dudu fez ontem voltando para casa, de táxi?

Perdeu o celular… pela terceira vez! Merece ou não ficar perdido por aí?

Foto 2 MAPAei China

Veja como é fácil!!!

 

Christiane DumontChristiane Dumont é certificada pela Sociedade Brasileira de Coach em Life&Personal Coach e atende pessoalmente e por Skype. Pós-graduada em propaganda e marketing, vive há quase cinco anos em Shenzhen, na zona do Cantão na China. Casada, mãe de 3 filhos, trabalha fornecendo suporte a brasileiros que desejam fazer negócios, estudar ou conhecer este país, além de escrever para mídias sociais sobre suas experiências como expatriada.

 

 

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