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O caminho de volta ao Brasil | Mapa da Educação Internacional | MAPAei

4 janeiro 2017
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Você fez um intercâmbio, viveu experiências ricas, fez novos amigos do mundo todo e aprendeu a gostar do seu novo lar. Ótimo! Chega a hora de voltar ao Brasil… e agora?

Diz a sabedoria popular: “Viajar é bom, mas voltar para casa é melhor ainda”.

Verdade seja dita: raramente imaginamos como será a volta quando estamos planejando a ida ou ainda, durante o período do intercâmbio. Após um período fora do Brasil, encontrar o  caminho de volta para a “casa” parece, em um momento inicial, ser algo natural.

Na prática, o intercâmbio envolve duas migrações: a ida e a volta! A partida e o retorno são partes da mesma experiência.

Na volta, novamente sentimentos ambíguos vem a tona: a alegria do reencontro e a tristeza da partida. Alegria em reencontrar amigos, familiares e comer comida brasileira e por outro lado uma sensação de tristeza de deixar o país que o conquistou, os novos amigos que fez e a cultura que aprendeu a apreciar.

Após algumas experiências pessoais e anos de trabalho nesta área, compartilho: a fase do retorno pode ser tão custosa quanto a da partida. Por vezes temos a ilusão de que basta descer do avião para nos sentirmos em casa.
A volta para o país de origem após um período fora é de (re)adaptação: de um novo cidadão, com novos olhares, perspectivas, horizontes e a uma realidade deixada que pouco (ou em nada) se alterou.

Chamada de síndrome do retorno, depressão pós intercâmbio, choque cultural reverso, independente do nome:  é muito mais que uma saudade do que viveu.

Uma das sensações que representa esta fase é o de sentir-se um estranho no ninho: Aquilo que já lhe foi tão familiar e agora gera estranheza – um custo emocional.

Por vezes não é fácil entendê-la e aceitá-la inicialmente. “Estou voltando pra casa, pra minha família, pro meu país – Como seria possível estes serem motivos de uma nova adaptação”?

E ainda há outro elemento nesse processo: os que ficaram! Familiares e amigos também têm papel fundamental no retorno: Estão felizes com a sua volta e por diversas vezes não compreendem as mudanças que você vivenciou e o seu processo de (re) adaptação.

Por vezes quem voltou é tido como esnobe ou arrogante , o que pode gerar  um sentimento de culpa e frustração pelo momento que se está vivendo.

Essa (re)adaptação que falamos pode variar bastante de acordo com o tempo de duração do intercâmbio, dos laços criados e das experiências vividas.

Algumas sugestões para facilitar a (re)adaptação:
– Entenda que é um processo natural
Conscientizar-se que a readaptação existe e acontece, em maior ou menor grau com os que moram por um determinado tempo fora do país auxilia nesta fase;
– Não há o melhor lugar do mundo
Existem coisas boas e ruins em TODOS os lugares.  Não se deixe levar pelo sentimento de nostalgia ou o pensamento como: “lá era melhor”. Lembre-se de que quando você estava fora a solução “mágica” de cruzar fronteiras e retornar ao Brasil parecia resolver as adversidades.
– Explore toda potencialidade que o intercâmbio te trouxe
Use essa experiência tão valorizada a seu favor em seus relacionamentos interpessoais, em sua carreira, em sua vida!

Embora os sentimentos de estranheza diminuam com o tempo, ainda assim você vai sentir que algo mudou e que nunca mais será como antes. Afinal,  a sua forma de ver o mundo ( o seu e/ou o de fora) mudou!
No seu caminho de volta ao Brasil reúna na sua bagagem todas as conquistas, experiências e vivências: são todas SUAS, não ficaram no país que você viveu, você pode carregá-las com você  onde quer que você vá.

E agora?
E depois do intercâmbio, após tudo o que você viveu, o convite é para que você se aproprie das suas novas habilidades e permita-se seguir desafiando a sua zona de conforto, revendo conceitos e vivendo novas descobertas. Novos sonhos, novos planos e novos projetos.
O mundo te espera!

 

Karen Góes- FotoKaren Goes é Psicóloga com atuação em capacitação Intercultural e de Gestão de Pessoas, Coordenadora de treinamento intercultural para imigrantes e refugiados pela SIETAR e responsável pelo serviço de Orientação Intercultural da MAPAei. É intercambista de carteirinha: Curso de Espanhol (Chile, 2015), Representante Cultural na Walt Disney Cia (EUA, 2012), Curso de Inglês (Irlanda, 2012), Intercâmbio de Trabalho na Walt Disney (EUA, 2010/11), High School (Nova Zelândia, 2005).

 

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