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11 maio 2015
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Ni hao

你好

No post passado, levei vocês para fazer umas comprinhas em Shenzhen. Só que ainda ficaram faltando algumas coisinhas na nossa despensa, então, vamos juntos mais uma vez visitar os mercados chineses.

Ir ao supermercado aos sábados no Brasil é caótico, não é mesmo? Aqui é a mesmíssima coisa, talvez um pouquinho pior. O Walmart parece uma feira livre onde os promotores, todos equipados com microfones de lapela, disputam os clientes aos gritos. O que será que eles falam? “Moça bonita não paga, mas também não leva?”. O Dudu, guloso como sempre, resolveu aceitar a provinha de uma, de uma, de uma… vamos assumir que foi uma salsicha, e saiu correndo em direção à lata de lixo para cuspir.

 

fotonova

 

Os uniformes das promotoras são sempre meio à la Xuxa.

Os uniformes das promotoras são sempre meio à la Xuxa.

 

Nos supermercados menores também rolam ações promocionais, mas de outro tipo. O ABest por exemplo, que eu costumava frequentar até um rato quase passar em cima do meu pé, adota uma estratégia de marketing impar para os padrões brasileiros. Estava fazendo calmamente as compras para a semana, quando comecei a ficar irritada com a poluição sonora do local. Além da música ambiente, havia também uma voz metálica vindo da seção de hortifrúti. Parecia alguém ao microfone repetindo a mesma frase, tipo assim: xie xian zai wu fan; xie xian zai wu fan; xie xian zai wu fan (essas palavras não existem, mas se você repetir bem rapidinho, vai ter a impressão de que sabe falar mandarim). Aquilo foi me irritando de uma forma tal que, num impulso, parti para a seção de hortifrúti fazer cara feia para o promotor de vendas.

Depois de muito procurar, finalmente encontrei de onde vinha aquela tentativa de lavagem cerebral. Simplesmente de um megafone fincado no meio de uma pilha de tangerinas! Fiz cara feia para o megafone e aproveitei para comprar algumas lá para casa.

“Tangerina a preço de banana!”

“Tangerina a preço de banana!”

 

Falando em tangerina, tenho passado vexame nas seções de hortifrúti. Na China, todo mundo vai ao mercado comprar comida todos os dias, resquício da época em que muito poucos tinham energia elétrica e, portanto, geladeira. Eu, no Brasil, costumava ir ao supermercado uma vez por semana e, durante um tempo, adotei o mesmo comportamento aqui na China. Conclusão: sempre acabavam se formando filas enormes atrás da gringa esfomeada que entupiu o carrinho de comida. Em tempo, aqui eles pesam o alface, a salsinha, a couve (o preço refere-se sempre a 500 gramas e não a 1 quilo) e vendem limão por unidade (mais ou menos R$2,50 cada). Adeus, caipirinhas!

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Para eu deixar de ser chata e só mostrar comida estranha, olhem que lindo!!!

Para eu deixar de ser chata e só mostrar comida estranha, olhem que lindo!!!

 

Cansada de ir sozinha aos supermercados, pedi para minha ayi ( que significa tia em mandarim e é usado também para designar nossas ajudantes domésticas) me levar ao mercado municipal, onde normalmente os alimentos são mais bonitos e mais baratos. Enquanto estávamos na seção dos inanimados, tudo corria muito bem. Mas quando chegamos aos animais, começou a carnificina.

Primeiro fomos comprar o peixinho para o almoço, o que acabou sendo muito mais difícil do que eu imaginava por conta da variedade de escolha que se apresentava.

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Depois dos peixes (peixes?), fomos para a seção de carnes.  Sinceramente, não consigo entender porque eles se preocupam tanto se os peixes estão realmente frescos a ponto de serem vendidos vivos e largam as carnes em cima dos balcões, sem nenhuma refrigeração. Isso sem mencionar os 40 graus que fazem no verão de Shenzhen.

Antes de chegar ao balcão das carnes digamos, convencionais, tive que pagar a penitência de ver bacias de coisas gosmentas de todas as cores, às vezes enroladas, às vezes esticadinhas, boiando em sangue ou em algum caldo branco. Para culminar, enquanto a ayi negociava o preço da carne e a atendente jogava o troco em cima de uma bacia de tripas, avistei uma pilha de restos no chão e, nela, um rabo inteiro, com pelo e tudo! Conclusão: agora, toda segunda-feira de manhã, a ayi vai sozinha ao mercado.

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Seja lá o que for, melhor não saber!

 

Até semana que vem!

 

Foto Chris

Christiane Dumont é publicitária e vive há quase quatro anos em Shenzhen. Casada, mãe de 3 filhos, ela trabalha fornecendo suporte a brasileiros que desejam fazer negócios, estudar ou conhecer a China. Christiane também escreve para sites e mídias sociais e atua como gerente de marketing de um centro de língua e cultura que visa estreitar as relações entre chineses e estrangeiros do mundo inteiro. Ela é parceira exclusiva da MAPAei na área de educação e organiza o Programa Welcome Plus em Shenzhen.

 

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