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Aventura em Hospital chinês - parte 2 | Mapa da Educação Internacional | MAPAei

13 julho 2015
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Ni hao,

No post passando, contei nossa primeira aventura num hospital chinês para tirar a tarraxa do brinco da minha filha, Mariana, que ficou preso embaixo da pele. Conforme prometido, hoje vou contar nossa aventura com meu filho Marcos que, na época, estava com 13 anos.

Marcos caiu de cara no chão jogando basquete na escola. Os dentes de baixo acabaram cortando a parte interna da boca e o professor sugeriu que fôssemos ao hospital para ter certeza de que não precisaria dar uns pontinhos. Lá fomos nós, mais uma vez, no Shekou People’s Hospital.

Foto 1

A história rolou mais ou menos da seguinte forma:

  1. Chegamos à recepção e eu pedi para o Marcos puxar o lábio inferior e mostrar o machucado. A chinesinha fez cara de “ai, que horror!” e apontou na direção da Emergência.
  1. Na Emergência, pedi para o Marcos puxar o lábio inferior e mostrar o machucado. A enfermeira fez cara de “ai, que horror!” e pediu, em chinês, para irmos para o 4º andar.
  1. Na recepção do 4º andar, destinada a atender estrangeiros, pedi para o Marcos puxar o lábio inferior e mostrar o machucado. A recepcionista fez cara de “ai, que horror!” e pediu em inglês (parecia inglês, pelo menos) para esperarmos um pouco.
  1. Minutos depois, uma médica que realmente falava inglês perguntou o que tinha acontecido. Pedi para o Marcos puxar o lábio inferior e mostrar o machucado. Falei que ele tinha caído jogando basquete, ela fez cara de “ai, que horror!” e disse que ia pedir a opinião dos especialistas.
  1. A recepcionista do 4º andar que, segundo ela mesma “entendia, mas não falava muito bem inglês”, nos acompanhou à sala dos dentistas ou, imagino, especialistas. Na recepção dos dentistas, pedi para o Marcos puxar o lábio inferior e mostrar o machucado. A recepcionista dos dentitas fez cara de “ai, que horror!”, conversou com uma dentista que já estava tirando o jaleco para ir embora e voltou a falar com a recepcionista do 4º andar.
  1. Depois de muito papo entre as duas, a recepcionista do 4º andar escreveu no seu iPhone (ela desistiu de falar inglês comigo) que o Marcos precisaria de uma “operation”, mas que os consultórios já estavam fechados e ele deveria voltar na manhã do dia seguinte.
  1. Sentindo cheiro de roubada no ar e diante de um Marquinhos desesperado, liguei para o Luiz que colocou uma amiga chinesa (Clair, a mesma da aventura com a Mariana) para falar em mandarim com a recepcionista. O Luiz me informou que “a Clair disse que a dentista falou que o Marcos tem que operar o pescoço para retirar uma coisa que nasceu lá. E que esta “operation” vai custar 400 RMB.” Pescoço? Que pescoço? Que operation? Para tudo!!!!
  1. Bom minha gente, se os chineses falando mandarim entre si não se entendem, quem dirá nós estrangeiros falando com eles em inglês! Bom, vencida pelo cansaço, avisei a recepcionista que eu estava indo embora. Ela fez “não” com a cabeça e disse que a gente precisava deixar a operation paga.
  1. Nesta hora, passou a médica que falava inglês! Encurralei-a num canto e falei “ninguém olhou a boca dele direito e querem que ele faça uma operation!!!!”. A médica, super atenciosa, nos levou de volta ao consultorio dos dentistas onde eu tive um rompante de memória e consegui dizer, em chinês, basquetebol. O rosto da médica se iluminou e ela perguntou “você caiu hoje jogando basquetebol?” O Marquinhos, sentindo que ainda havia esperanças de se safar da operation, repetiu  yes!, yes!, yes!
  1. E lá foi ele finalmente se sentar na caderia de um dentista que puxou seu lábio, analisou o machucado e disse em chinês “não é nada, pode ir embora para casa”.

 

Em resumo, em menos de meia hora, poupamos o Marcos de uma operation e economizamos 400 RMB! E, se isso tudo foi um problema de comunicação, de displicência, de má fé ou um simples mal entendido, acho que nunca saberemos ao certo.

 

Foto ChrisChristiane Dumont é publicitária e vive há quase quatro anos em Shenzhen. Casada, mãe de 3 filhos, ela trabalha fornecendo suporte a brasileiros que desejam fazer negócios, estudar ou conhecer a China. Christiane também escreve para sites e mídias sociais e atua como gerente de marketing de um centro de língua e cultura que visa estreitar as relações entre chineses e estrangeiros do mundo inteiro. Ela é parceira exclusiva da MAPAei na área de educação e organiza o Programa Welcome Plus em Shenzhen.

 

 

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