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Armando um barraco na China!

22 abril 2015
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你们好,

Ni men hao,

Quinta-feira passada, de volta à minha deliciosa rotina de levantar cedo, despachar as crianças para escola e ir para minha aula de yoga (sim, gente, rotina pode ser algo delicioso!), aconteceu algo muito inspirador. Bom, pelo menos para mim que estou numa fase muito espiritual que, aliás, espero que dure para sempre!

Eu saí de casa com tempo suficiente para pegar o metrô e chegar à yoga cinco minutos antes da aula começar. Só que, pela primeira na vez nos meus quase quatro anos de China, fiquei esperando o metrô por oito longos minutos e mais uns dois para ele finalmente sair da estação. Conclusão: em vez de chegar cinco minutos adiantada, cheguei dez minutos atrasada e fui barrada na porta da sala de aula!

Painel do metrô de Shenzhen

Painel do metrô de Shenzhen

 

Eu, aluna exemplar, há 3 anos frequentando o Yogalife, sem nunca ter chegado atrasada uma vez sequer; EU!!! Fui barrada na porta da sala de aula! Como assim? Que injustiça é esta? Isso é prepotência, abuso de poder e implicância!

Minha indignação, ou melhor, arrogância era tamanha que eu desandei a reclamar com a recepcionista da academia.

_ Eu não sou aluna nova, eu conheço as regras, essa foi a única vez que cheguei atrasada, eu estudo aqui há três anos, eu falo com o professor! Pleeeeeease, me deixa entrar!!!!!!!!!!

A recepcionista, muito calmamente, me disse:

_ Olha, não tem nada a ver com o fato de você estudar aqui há anos ou nunca ter chegado atrasada antes. A questão é que você chegou muito tarde e vai atrapalhar o professor e os outros alunos se entrar agora.

O jeito foi eu ir me acalmando e caindo na real do ridículo da situação. Eu estava atrasada; a culpa era minha e o que eu estava tentando fazer era um belíssimo chantagem emocional em cima da chinesinha que, muito educadamente, não entubou. Será que é isso que eles chamam de não fazer a outra pessoa “perder a face”, traduzindo, ficar numa situação constrangedora?

Depois de beber um chá, reencontrar o meu equilíbrio emocional e juntar minha face estatelada no chão da academia, me dei conta de algo muito legal!

Há exatos 2 anos, eu relatei no post Universidade de Shenzhen ao seu Alcance uma situação em que fui pivô de uma discussão entre a recepcionista do dormitório dos alunos internacionais e uma aluna inglesa da universidade (cara, como a gente pode ser arrogante sem nem perceber!). Quando a discussão entre as duas acabou, eu pensei, “Meu Deus, será que um dia eu vou falar mandarim como essa inglesinha a ponto de conseguir bater boca com um chinês?”.

Pois bem, a resposta está aí: eu tive minha primeira discussão em chinês e acho que me saí muito bem! Aprender mandarim é possível, minha gente!

Agora vem o lado espiritual de que falei. Nada na vida é bom ou ruim. Tudo tem um motivo para acontecer. É só uma questão de prestar atenção nos recados externos. A gente precisa parar de enxergar a vida como um álbum de fotografia e começar a vê-la como um filme. Uma foto sozinha não conta uma história. Um filme tem começo, meio e fim.

E o fim desta pequena história é que, em vez de deixar o fato de ter sido barrada na aula estragar o meu dia inteiro, consegui transformá-lo num motivo de comemoração por ter, finalmente, admitido para mim mesma que eu falo chinês! Ops, menos Chris! Que eu falo um-pouquinho-de-chinês!

Recepcionista Yogalife em Shenzhen (o chinelinho é obrigatório)!

Recepcionista Yogalife em Shenzhen (o chinelinho é obrigatório)!

 

再见

Zai jian!

 

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