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Aprendendo Mandarim na China

12 abril 2015
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Ni hao,

Quando meus filhos eram bem pequenos, eu costumava ler para eles um livro sobre a história de um menino que estava justamente aprendendo a ler. Logo no início, quando o garotinho ainda era analfabeto, ele via o nome da sua rua escrito na placa perto de casa, da seguinte forma: %$@   *#   ?#&.

À medida que o tempo passava e ele ia aprendendo as vogais e as consoantes, a placa ia se decifrando naturalmente.

Na primeira semana, %$A  *O  ?O&.

Na segunda semana, R$A  *O  ?O&.

Na terceira semana, RUA  *O  ?O&.

Na quarta semana, RUA DO SOL.

A imagem do menino deslumbrado ao desvendar o nome da sua própria rua, o nome da lojinha da esquina, a propaganda no cartaz colado no muro perto de casa, a linha de ônibus que pegava todos os dias para ir para escola; esta imagem ficou marcada na minha memória para sempre!

Pois bem, mal sabia que um dia eu seria este menino! Só que, desta vez, com sete vezes a idade dele e bem longe do Brasil, mais precisamente, na China. Ao chegar aqui, a gente de um dia para o outro passa a ser surdo, mudo e analfabeto!

Ainda me lembro de quando meu filho menor caiu e machucou o joelho. Desesperada ao ver o sangue escorrendo pela sua perna, fui voando até a farmácia, segurei a atendente no olhar, apontei para mim mesma, depois coloquei a mão na altura da cintura para indicar o tamanho de alguma coisa, dei dois passos para frente e simulei um tombo no meio da loja. Levantei, fiz uma cara de dor misturada com nojo e apontei para o joelho.

Funcionou! A atendente, com os olhinhos brilhando pelo prazer de ajudar a gringa dramática, veio logo com mertiolate, algodão, gaze, pomada, comprimidos e quase bateu palmas pela minha performance artística.

Hoje em dia, três anos depois de começar a estudar o mandarim, não preciso mais apelar para mímica para comprar a maior parte das coisas que preciso. Já consigo mandar mensagens pelo celular, conheço 50% dos caracteres de um cartaz de propaganda (o suficiente para saber do que eles estão falando) e já sou capaz de discutir com o motorista de taxi qual o melhor caminho para voltar para casa!

Meu livro de estudos

Meu livro de estudos

 

Para chegar até aqui, há duas formas básicas. A primeira é se matriculando no curso de mandarim da Universidade de Shenzhen, cidade onde eu moro no sul da China, e ter aulas todos os dias de 8:30 às 11:50 da manhã durante 1 semestre (o curso é formado de 8 semestres). Além de sentir a língua sendo injetada diretamente na sua veia, você ainda conhece gente do mundo inteiro na mesma situação que a sua: surda, muda e analfabeta.

A segunda é ter aulas particulares ou em grupos menores, durante as quais a professora pode dar uma atenção mais focada no aluno e mais adequada à necessidade de cada um. Neste caso, 1 mês já é o suficiente.

Eu trilhei os dois caminhos em momentos diferentes e, independente dos prós e contras de cada um, posso garantir que a gente aprende! De verdade!

Esta experiência que tive com o mandarim foi e ainda está sendo tão marcante, que resolvi ajudar brasileiros que gostariam de vir para China fazer uma imersão na língua. Meu trabalho, em parceria com uma empresa de intercâmbio no Brasil, a MAPAei, vai desde a matrícula na universidade ou curso, retirada do visto, compra de passagem até a recepção em Shenzhen, busca por alojamento, treinamento de sobrevivência (sim, a China não é para amadores!) e suporte ao longo da primeira semana.

 

Se você tiver este sonho dentro de você, mas achar que é impossível, não creia nisso! Um mês ou um ano, não importa! O contato com a língua no próprio país é capaz de fazer milagres!

Chamada Blog China 2

Aprender mandarim pode ser muito mais fácil do que você imagina! E posso garantir que, se depender de nós, você nunca vai precisar simular tombos em farmácias ou pagar qualquer outro mico do gênero!

来吧!(Caractere)

Lai ba! (Pinyin)

Vem! (Essa você já sabe!)

 

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